Irritadíssima
Escrevi aqui, tempos atrás, uma crônica que dei o título de “Estou assustada”. Hoje deu vontade de escrever sobre irritação, pegando a idéia do programa de televisão da Fernanda Young. No programa irritam a Fernanda, mas nem precisa me irritarem mais. Já chega o que me irrita na minha cidade, no meu país.
Existe coisa mais irritante que o Lula posando de “o Cara”, sentado ao lado da monarca Elizabeth, bem na frente do Obama e declarando que o Brasil, para ficar bem na fita, vai emprestar milhões de dólares ao FMI? Quem vai emprestar aos pobres cidadãos do país do “Cara”? Quem vai colocar na escola os meninos e meninas, brasileirinhos, que aos 11 anos mal sabem escrever “Cara”? Me irrita ler um jornal no sábado e concluir que 70% das notícias do país do “Cara” são as piores possíveis.
Que irritante ler a notícia que o prefeito do Rio de Janeiro já começou a cercar as favelas do Rio, marcando literalmente o traço da desigualdade, do descaso, da segregação, deixando do lado de lá o poder do Estado na mão dos donos dos morros, bandidos poderosos e o “tudo podem fazer com eles, com a gente não!”.
Ah, como me irrita ler que vou também pagar a conta do celular do “meu” senador Tião Vianna, de quase 15 mil reais e não gasto nada de mil com o meu e a maioria dos brasileiros só consegue ter um celularzinho “pai de santo”, aquele que só recebe. Será que não foram os pobres do meu país que ligaram a cobrar para o Senador?
Irritante ler sobre a conduta de senadores que usam e abusam das benesses com nosso dinheiro tendo passagens aéreas gratuitas para suas famílias, planos de saúde milionários, tratamentos dentários dos mais caros, auxílio-moradia e brasileiros pobres andam mesmo é descalços, em paus de araras, não têm atendimento de saúde e que mordam folhas de fumo se tiverem dor de dente. Irritante saber que pagamos R$ 6,2 milhões de horas extras a mais de três mil funcionários do Senado em janeiro, época de recesso parlamentar. Irritante os 181 diretores do Senado, que até agora não sabemos se algum foi demitido. Me irrita muito saber que diretores burlavam a lei antinepotismo empregando parentes por meio de empresas terceirizadas.
Quanta irritação ler que o presidente da empresa “Barcas S/A”, aconselhou a população a não usar as barcas Rio-Niterói na hora de maior movimento. Tá maluco, cara pálida? Ou acha que o povo é maluco?
Fico irritadíssima quando vejo gente da maior cultura e conhecimento da cidade fingir que não vê o quanto destroem o Rio de Janeiro.Não é terrivelmente irritante ter que conviver com os italianos do IED que nos desafiam e riem de nós porque ganharam “de presente” por 50 anos o antigo Cassino da Urca para fazerem muito dinheiro ali e ainda destruírem um dos bairros mais preservados da cidade? E nós é que somos os incultos!
É muito irritante, muito mesmo, andar de ônibus na cidade e assistir da janela uma cidade em que as pessoas jogam seu lixo na rua, abandonam seus velhos e crianças e ficam reclamando do governo.
Que irritação me dá ver um cachorrinho de madame, todo vestidinho de grife, sendo chamado de filho e ganhando beijinho na boca!
À noite, na TV, tem uma novela em que as aulas de Índia são muito irritantes. Chega, né? Todo mundo já aprendeu algumas palavrinhas com o namastê e aquelas interjeições irritantes como ali-bába e tic!
Ah, o mais irritante: Faustão no domingo.E fica mais irritante ainda se entrevistar Suzana Vieira, vestida de garotinha, com seu novo namoradinho de 24 anos. Ele nem deixa ele falar, mas... falar o quê? Vai ficar muito mais irritante ainda.
Volto ao jornal e a frase mais irritante está em destaque entre as da semana. Lula disse: “Eu estou vivendo um momento em que eu não posso reclamar de nada, nem da crise”.
Que crise Cara? Reclamar do que, Cara? Esqueceu até Garanhuns? Pensa que está bem na fita. Enquanto isso... roda a fita para eu não ficar mais irritada. Ao trabalho. Não sou o Cara, nem conheço Obama e... não estou nada bem na fita!
Escrevi aqui, tempos atrás, uma crônica que dei o título de “Estou assustada”. Hoje deu vontade de escrever sobre irritação, pegando a idéia do programa de televisão da Fernanda Young. No programa irritam a Fernanda, mas nem precisa me irritarem mais. Já chega o que me irrita na minha cidade, no meu país.
Existe coisa mais irritante que o Lula posando de “o Cara”, sentado ao lado da monarca Elizabeth, bem na frente do Obama e declarando que o Brasil, para ficar bem na fita, vai emprestar milhões de dólares ao FMI? Quem vai emprestar aos pobres cidadãos do país do “Cara”? Quem vai colocar na escola os meninos e meninas, brasileirinhos, que aos 11 anos mal sabem escrever “Cara”? Me irrita ler um jornal no sábado e concluir que 70% das notícias do país do “Cara” são as piores possíveis.
Que irritante ler a notícia que o prefeito do Rio de Janeiro já começou a cercar as favelas do Rio, marcando literalmente o traço da desigualdade, do descaso, da segregação, deixando do lado de lá o poder do Estado na mão dos donos dos morros, bandidos poderosos e o “tudo podem fazer com eles, com a gente não!”.
Ah, como me irrita ler que vou também pagar a conta do celular do “meu” senador Tião Vianna, de quase 15 mil reais e não gasto nada de mil com o meu e a maioria dos brasileiros só consegue ter um celularzinho “pai de santo”, aquele que só recebe. Será que não foram os pobres do meu país que ligaram a cobrar para o Senador?
Irritante ler sobre a conduta de senadores que usam e abusam das benesses com nosso dinheiro tendo passagens aéreas gratuitas para suas famílias, planos de saúde milionários, tratamentos dentários dos mais caros, auxílio-moradia e brasileiros pobres andam mesmo é descalços, em paus de araras, não têm atendimento de saúde e que mordam folhas de fumo se tiverem dor de dente. Irritante saber que pagamos R$ 6,2 milhões de horas extras a mais de três mil funcionários do Senado em janeiro, época de recesso parlamentar. Irritante os 181 diretores do Senado, que até agora não sabemos se algum foi demitido. Me irrita muito saber que diretores burlavam a lei antinepotismo empregando parentes por meio de empresas terceirizadas.
Quanta irritação ler que o presidente da empresa “Barcas S/A”, aconselhou a população a não usar as barcas Rio-Niterói na hora de maior movimento. Tá maluco, cara pálida? Ou acha que o povo é maluco?
Fico irritadíssima quando vejo gente da maior cultura e conhecimento da cidade fingir que não vê o quanto destroem o Rio de Janeiro.Não é terrivelmente irritante ter que conviver com os italianos do IED que nos desafiam e riem de nós porque ganharam “de presente” por 50 anos o antigo Cassino da Urca para fazerem muito dinheiro ali e ainda destruírem um dos bairros mais preservados da cidade? E nós é que somos os incultos!
É muito irritante, muito mesmo, andar de ônibus na cidade e assistir da janela uma cidade em que as pessoas jogam seu lixo na rua, abandonam seus velhos e crianças e ficam reclamando do governo.
Que irritação me dá ver um cachorrinho de madame, todo vestidinho de grife, sendo chamado de filho e ganhando beijinho na boca!
À noite, na TV, tem uma novela em que as aulas de Índia são muito irritantes. Chega, né? Todo mundo já aprendeu algumas palavrinhas com o namastê e aquelas interjeições irritantes como ali-bába e tic!
Ah, o mais irritante: Faustão no domingo.E fica mais irritante ainda se entrevistar Suzana Vieira, vestida de garotinha, com seu novo namoradinho de 24 anos. Ele nem deixa ele falar, mas... falar o quê? Vai ficar muito mais irritante ainda.
Volto ao jornal e a frase mais irritante está em destaque entre as da semana. Lula disse: “Eu estou vivendo um momento em que eu não posso reclamar de nada, nem da crise”.
Que crise Cara? Reclamar do que, Cara? Esqueceu até Garanhuns? Pensa que está bem na fita. Enquanto isso... roda a fita para eu não ficar mais irritada. Ao trabalho. Não sou o Cara, nem conheço Obama e... não estou nada bem na fita!

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