Mulheres com menos pausas e muito mais vida
Sintonizei a TV, sem querer, num programa da Oprah Winfrey em que uma americana de cerca de 60 anos falava de seu livro recém-publicado sobre as maravilhas da reposição hormonal na vida das mulheres.
Depois de assistir o programa, concordar com a autora e querer escrever sobre o assunto, fui à feira do meu bairro comprar peixe fresco. Lá encontrei dona Joana, uma senhorinha maravilhosa, de cerca de 70 anos de idade, minha vizinha há muitos anos que, dedicada e amorosa, comprava legumes frescos para preparar a dieta de seu amado marido. Ela me abraçou afetuosa, me chamando de “minha escritora preferida”. Fiquei feliz com o carinho e lhe disse que ela estava me estimulando a continuar a escrever e perguntei sua opinião a respeito de escrever sobre o sofrimento das mulheres que entram na menopausa. Ela me disse de pronto: “Não escreve não, minha filha, menopausa é só fazer tratamento. Eu passei muito bem. Fiz tratamento e tomei hormônios. Ninguém precisa sofrer. Agora preciso é tomar remédio para parar de ter desejo. Meu marido está doente e continuo muito fogosa e não posso ficar assim”.
Ficamos, eu, dona Joana e a feirante ali, encostadas na banca de legumes, conversando sobre os horrores dos sintomas da menopausa e as maravilhas da vida sexual ativa. Dona Joana se dizia muito feliz no casamento e demonstrava um viço que fazia brilhar seus olhos pequenos. Sorridentes, sem falsos pudores, falávamos, nós três, da alegria de estarmos vivas, sentirmos a festa hormonal em nossos corpos quando admitíamos a atração física que nos aproximava do sexo oposto. A feira ao ar livre, com suas cores exuberantes das muitas folhas, frutos e flores parecia o cenário perfeito para nossa conversa de celebração à vida madura. Três mulheres tão diferentes em suas idades e histórias, mas tão iguais nos sentidos femininos. Estávamos alheias aos olhares e ouvidos dos poucos compradores que nos olhavam com sorrisos surpresos ou maledicentes. Tudo com muita vida. Saí da feira mais convencida em continuar assumindo os ditos riscos da reposição hormonal e continuar minha vida madura como uma festa, onde me sirvo de doses fortes de conquistas, lascas de fantasias, ramalhetes enormes de alegrias, braçadas de felicidades e molhos de muitas emoções. Na feira, com dona Joana, me senti como quando me calo e resolvo colocar a mesa mais bonita para alimentar meus sentimentos. Os ingredientes da vida são saudáveis, por que então se sentir doente quando acabam os hormônios?
Os médicos, ah os médicos! Cientistas estudiosos ou descompromissados com o saber, muitos insistem em dizer que suas mães e avós viveram muito bem sem reposição hormonal. Viveram quantos anos? Sabiam que as lágrimas que chegavam sem avisar; a pele que rachava feito terra na seca, gritos descontrolados quase sem motivo, tristezas que as enterravam nas camas por dias inteiros, eram os sintomas/efeitos da menopausa? Não, certamente elas viveram muito menos que dona Joana, que eu, que a feirante.
O mundo inteiro discute os benefícios e danos da reposição hormonal feminina. Que continuem discutindo, estudando, pesquisando, mas nós, as três mulheres que se encontraram na feira, ficamos muito “menos-pausa” com aqueles hormônios que entram no nosso corpo em forma de remédios e preenchem os lugarzinhos deixados pelos danadinhos que desistem de nós quando fazemos 50 anos. Eles se vão, mas a vida, o amor, a paixão, os homens, nossos queridos companheiros não desistem tão facilmente. E nem nós deles.
Sintonizei a TV, sem querer, num programa da Oprah Winfrey em que uma americana de cerca de 60 anos falava de seu livro recém-publicado sobre as maravilhas da reposição hormonal na vida das mulheres.
Depois de assistir o programa, concordar com a autora e querer escrever sobre o assunto, fui à feira do meu bairro comprar peixe fresco. Lá encontrei dona Joana, uma senhorinha maravilhosa, de cerca de 70 anos de idade, minha vizinha há muitos anos que, dedicada e amorosa, comprava legumes frescos para preparar a dieta de seu amado marido. Ela me abraçou afetuosa, me chamando de “minha escritora preferida”. Fiquei feliz com o carinho e lhe disse que ela estava me estimulando a continuar a escrever e perguntei sua opinião a respeito de escrever sobre o sofrimento das mulheres que entram na menopausa. Ela me disse de pronto: “Não escreve não, minha filha, menopausa é só fazer tratamento. Eu passei muito bem. Fiz tratamento e tomei hormônios. Ninguém precisa sofrer. Agora preciso é tomar remédio para parar de ter desejo. Meu marido está doente e continuo muito fogosa e não posso ficar assim”.
Ficamos, eu, dona Joana e a feirante ali, encostadas na banca de legumes, conversando sobre os horrores dos sintomas da menopausa e as maravilhas da vida sexual ativa. Dona Joana se dizia muito feliz no casamento e demonstrava um viço que fazia brilhar seus olhos pequenos. Sorridentes, sem falsos pudores, falávamos, nós três, da alegria de estarmos vivas, sentirmos a festa hormonal em nossos corpos quando admitíamos a atração física que nos aproximava do sexo oposto. A feira ao ar livre, com suas cores exuberantes das muitas folhas, frutos e flores parecia o cenário perfeito para nossa conversa de celebração à vida madura. Três mulheres tão diferentes em suas idades e histórias, mas tão iguais nos sentidos femininos. Estávamos alheias aos olhares e ouvidos dos poucos compradores que nos olhavam com sorrisos surpresos ou maledicentes. Tudo com muita vida. Saí da feira mais convencida em continuar assumindo os ditos riscos da reposição hormonal e continuar minha vida madura como uma festa, onde me sirvo de doses fortes de conquistas, lascas de fantasias, ramalhetes enormes de alegrias, braçadas de felicidades e molhos de muitas emoções. Na feira, com dona Joana, me senti como quando me calo e resolvo colocar a mesa mais bonita para alimentar meus sentimentos. Os ingredientes da vida são saudáveis, por que então se sentir doente quando acabam os hormônios?
Os médicos, ah os médicos! Cientistas estudiosos ou descompromissados com o saber, muitos insistem em dizer que suas mães e avós viveram muito bem sem reposição hormonal. Viveram quantos anos? Sabiam que as lágrimas que chegavam sem avisar; a pele que rachava feito terra na seca, gritos descontrolados quase sem motivo, tristezas que as enterravam nas camas por dias inteiros, eram os sintomas/efeitos da menopausa? Não, certamente elas viveram muito menos que dona Joana, que eu, que a feirante.
O mundo inteiro discute os benefícios e danos da reposição hormonal feminina. Que continuem discutindo, estudando, pesquisando, mas nós, as três mulheres que se encontraram na feira, ficamos muito “menos-pausa” com aqueles hormônios que entram no nosso corpo em forma de remédios e preenchem os lugarzinhos deixados pelos danadinhos que desistem de nós quando fazemos 50 anos. Eles se vão, mas a vida, o amor, a paixão, os homens, nossos queridos companheiros não desistem tão facilmente. E nem nós deles.

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