
Amigos, minha riqueza.
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus
amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!
Vinícius de Moraes
Andei pelo meu bairro, observando as belas casas, a baía que descansa num fim de tarde do início do verão e no céu a lua vem entrona, roubando a luz do sol pra iluminar a noite limpa e preguiçosa. Vou alimentando meus sonhos, fantasiando possuir a casinha linda da esquina, o casarão imponente no alto da pedra, a cobertura perto da copa das árvores. Avalio meu patrimônio. Não tenho uma casa, não comprei um terreno e também não estou preocupada com o movimento da bolsa de valores; minhas ações estão guardadas no coração! Na minha contabilidade avalio: sou milionária! E minha riqueza não há crise no mundo a ameaçar, não existem números a contar, não precisa de bancos pra guardar. Tenho amigos! Amigos que desde menina, com 4 anos de idade nossas mãozinhas se tocavam, nossos segredos eram partilhados, nossas vidas entrelaçadas. Amigos feitos nos caminhos da vida e, presente ou ausente, sempre perto, quase transparente. Amigos que fizeram meu mais lindo colar de pérolas que enfeita meu colo e acaricia meu coração. Tenho preciosas pedras nesse tesouro e há poucos dias encontrei nos meus guardados um certificado de garantia da minha mais linda e valiosa gema. Era um bilhetinho, escrito há 29 anos em que minha amiga agradecia sua cama feita quando, cansada do trabalho, chegou no nosso apartamento de estudantes em que não tinha mãe, comida na panela, roupas cuidadas, cara de lar. Ela, no bilhetinho, falava de amor e amizade. Pedra rara do meu tesouro! Tenho amigos que foram cultivados em terra fértil, cresceram, floriram, deram frutos e já têm aquelas rugas, como as dos troncos das árvores frondosas que enfeitam o caminho das minhas caminhadas. Tenho amigos que escolhi logo que chegaram, outros que acolhi quando choraram, outros que fui descobrindo nas alegrias e gargalhadas. Amigos que chegaram enquanto fazíamos um trabalho, amigos que foram um caso de amor; amigos que eram vizinhos e trocamos xícaras de açúcar, linhas para alinhavos, chaves de portas, socorros em noites insones, em perdas, em dores e agonias, em alegrias ou tristezas. Amigos que tive e assisti as despedidas enquanto morriam para esta vida. Amigos a quem fiz promessas, amigos que assassinos me roubaram e mesmo depois da partida me espreme o coração fazendo escorrer dos meus olhos o sumo doce do amor perdido. Amigos que hoje moram longe; amigos que moram no mesmo lugar, amigos que sempre me oferecem o que tem e, quando não têm fingem que têm repartindo comigo todo seu bem. Tenho amigos que não traem, me oferecem lugar, limpam minhas lágrimas me imprimiram em suas vidas e estão nas minhas páginas.
Tenho amigos que são parentes, minhas irmãs, amigas de intimidades quase indecentes. Amigos que nem sabem o quanto são meus amigos. Tenho amigos que nem sabem que eu morreria um pouco se os perdessem. Meus amigos nem precisam me falar, basta um olhar. Amigos são minha riqueza de amar. E se um amigo me trair, nem deve chorar, pois, se perco um amigo, choro tanto que minhas lágrimas me matam até me afogar.
Bendita a minha riqueza. Tenho amigos e com pequenas perdas, porque eram pedras falsas ou grandes perdas, porque a morte me traiu e os levou, meu patrimônio não tem valor mensurável nas cifras de moedas. A alguns para os quais abri as portas de minha casa, segredei momentos de minha vida, dividi o pão e a água e depois foram buscar outros banquetes, desejo fortunas de carinho. A outros, que me punhalaram pelas costas, ou foram devagar sangrando minhas veias, roubando meus carinhos, desprezando meu amor, não me peçam perdão: peçam a si mesmo, procurem se desculpar, olhando no espelho, buscando suas almas que se esconde no poder na competição, na cegueira voluntária para não ver como se constrói um tesouro.
Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a
roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando
comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus
amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber
que são meus amigos!
Vinícius de Moraes
Andei pelo meu bairro, observando as belas casas, a baía que descansa num fim de tarde do início do verão e no céu a lua vem entrona, roubando a luz do sol pra iluminar a noite limpa e preguiçosa. Vou alimentando meus sonhos, fantasiando possuir a casinha linda da esquina, o casarão imponente no alto da pedra, a cobertura perto da copa das árvores. Avalio meu patrimônio. Não tenho uma casa, não comprei um terreno e também não estou preocupada com o movimento da bolsa de valores; minhas ações estão guardadas no coração! Na minha contabilidade avalio: sou milionária! E minha riqueza não há crise no mundo a ameaçar, não existem números a contar, não precisa de bancos pra guardar. Tenho amigos! Amigos que desde menina, com 4 anos de idade nossas mãozinhas se tocavam, nossos segredos eram partilhados, nossas vidas entrelaçadas. Amigos feitos nos caminhos da vida e, presente ou ausente, sempre perto, quase transparente. Amigos que fizeram meu mais lindo colar de pérolas que enfeita meu colo e acaricia meu coração. Tenho preciosas pedras nesse tesouro e há poucos dias encontrei nos meus guardados um certificado de garantia da minha mais linda e valiosa gema. Era um bilhetinho, escrito há 29 anos em que minha amiga agradecia sua cama feita quando, cansada do trabalho, chegou no nosso apartamento de estudantes em que não tinha mãe, comida na panela, roupas cuidadas, cara de lar. Ela, no bilhetinho, falava de amor e amizade. Pedra rara do meu tesouro! Tenho amigos que foram cultivados em terra fértil, cresceram, floriram, deram frutos e já têm aquelas rugas, como as dos troncos das árvores frondosas que enfeitam o caminho das minhas caminhadas. Tenho amigos que escolhi logo que chegaram, outros que acolhi quando choraram, outros que fui descobrindo nas alegrias e gargalhadas. Amigos que chegaram enquanto fazíamos um trabalho, amigos que foram um caso de amor; amigos que eram vizinhos e trocamos xícaras de açúcar, linhas para alinhavos, chaves de portas, socorros em noites insones, em perdas, em dores e agonias, em alegrias ou tristezas. Amigos que tive e assisti as despedidas enquanto morriam para esta vida. Amigos a quem fiz promessas, amigos que assassinos me roubaram e mesmo depois da partida me espreme o coração fazendo escorrer dos meus olhos o sumo doce do amor perdido. Amigos que hoje moram longe; amigos que moram no mesmo lugar, amigos que sempre me oferecem o que tem e, quando não têm fingem que têm repartindo comigo todo seu bem. Tenho amigos que não traem, me oferecem lugar, limpam minhas lágrimas me imprimiram em suas vidas e estão nas minhas páginas.
Tenho amigos que são parentes, minhas irmãs, amigas de intimidades quase indecentes. Amigos que nem sabem o quanto são meus amigos. Tenho amigos que nem sabem que eu morreria um pouco se os perdessem. Meus amigos nem precisam me falar, basta um olhar. Amigos são minha riqueza de amar. E se um amigo me trair, nem deve chorar, pois, se perco um amigo, choro tanto que minhas lágrimas me matam até me afogar.
Bendita a minha riqueza. Tenho amigos e com pequenas perdas, porque eram pedras falsas ou grandes perdas, porque a morte me traiu e os levou, meu patrimônio não tem valor mensurável nas cifras de moedas. A alguns para os quais abri as portas de minha casa, segredei momentos de minha vida, dividi o pão e a água e depois foram buscar outros banquetes, desejo fortunas de carinho. A outros, que me punhalaram pelas costas, ou foram devagar sangrando minhas veias, roubando meus carinhos, desprezando meu amor, não me peçam perdão: peçam a si mesmo, procurem se desculpar, olhando no espelho, buscando suas almas que se esconde no poder na competição, na cegueira voluntária para não ver como se constrói um tesouro.

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