Só cariocas podem falar mal do Rio
Eu não quero escrever. Não porque não tenha assunto, mas porque eles são tantos que dá enfado, confusão na minha cabeça muito carioca e nos meus olhos que, feito máquina fotográfica de paparazzi, vão clicando as inúmeras imagens da vida na minha cidade. O Rio no inverno é muito mais lindo e agradável. Mas não podemos ler os jornais, assistir ao noticiário na TV sem que uma tristeza nos invada e até ofusque a luz oblíqua do sol morninho de inverno. O Rio feio, aquele que tem cara de Brasil problema, só aparece nas conversas de cariocas que amam a cidade. Nas mesas de bares, nas rodinhas de praia, botecos dos subúrbios, a gente fala mal, culpa o prefeito, solta os cachorros. Mas na conversa não pode ter estrangeiro, só cariocas.
Não gosto de assistir à TV e fico muito tempo sem fazê-lo. Mas, outro dia, assisti a um comercial de sandálias que tem a cara do Rio. O comercial mostra um famoso ator, que conversa com outro na praia, comentando as mazelas do país. Quando um estrangeiro entra na conversa e tenta comentar o assunto, os dois protestam com veemência. Genial. É assim mesmo quando falam do que é nosso! Dos filhos nossos, criados por nós, amados por nós, só nós podemos falar mal, ninguém mais. Quem disse que vamos deixar alguém estranho, um estrangeiro, dizer que nosso filho é feio?
Aqui tem violência, tem pobreza, tem sujeira, tem buracos nas ruas, trânsito caótico, crimes, abandono, mas o Rio tem filhos, mães, pais, irmãos, tios, avôs e avós, e sua família, os cariocas, que são feito feras ao proteger seus filhotes. Imagina se carioca deixa estrangeiro tocar a nossa tristeza! Deus me livre de dizer a um estrangeiro: você tem razão! Eu, hem, não existe nada mais chato que ter razão. Quem tem razão só tem é ela. Cariocas gostam do Rio e sabem até brincar com tantos problemas. O Rio sem cariocas é de uma chatice só. Já viram rodas de turistas curtindo a cidade? Eles adoram, mas sempre têm um “mas...”. Carioca de verdade defende sua cidade, trabalha por ela e odeia essas interpretações do chato do Freud que haveria de dizer que cariocas têm ego inflado. Odeio essas coisas que inventam para dizer que somos vaidosos! Temos é uma cidade linda e tão cheia de vida que até os problemas são muito nossos. Lógico que prefeitos e outros políticos gostariam de acertar, mas será que um filho tão problemático tem conserto? Se não tem, é melhor conversamos bem baixinho sobre as traquinices do Rio, agirmos com cuidado, estudarmos as saídas, os remedinhos pros males e amar esse moleque travesso, lindo, lindo e lindo. O Rio é filho problema, mas é nosso e somos nós, cariocas, que temos de proteger a sua imagem. Não venham, estrangeiros, ver nossos problemas. Olhem as praias, o verde, o mar e prestem atenção neste jeito tão especial do carioca viver! Na hora de falar mal, sejam pais e mães de suas cidades e deixem que os cariocas dêem as palmadas nessa nossa cidade travessa!
Eu não quero escrever. Não porque não tenha assunto, mas porque eles são tantos que dá enfado, confusão na minha cabeça muito carioca e nos meus olhos que, feito máquina fotográfica de paparazzi, vão clicando as inúmeras imagens da vida na minha cidade. O Rio no inverno é muito mais lindo e agradável. Mas não podemos ler os jornais, assistir ao noticiário na TV sem que uma tristeza nos invada e até ofusque a luz oblíqua do sol morninho de inverno. O Rio feio, aquele que tem cara de Brasil problema, só aparece nas conversas de cariocas que amam a cidade. Nas mesas de bares, nas rodinhas de praia, botecos dos subúrbios, a gente fala mal, culpa o prefeito, solta os cachorros. Mas na conversa não pode ter estrangeiro, só cariocas.
Não gosto de assistir à TV e fico muito tempo sem fazê-lo. Mas, outro dia, assisti a um comercial de sandálias que tem a cara do Rio. O comercial mostra um famoso ator, que conversa com outro na praia, comentando as mazelas do país. Quando um estrangeiro entra na conversa e tenta comentar o assunto, os dois protestam com veemência. Genial. É assim mesmo quando falam do que é nosso! Dos filhos nossos, criados por nós, amados por nós, só nós podemos falar mal, ninguém mais. Quem disse que vamos deixar alguém estranho, um estrangeiro, dizer que nosso filho é feio?
Aqui tem violência, tem pobreza, tem sujeira, tem buracos nas ruas, trânsito caótico, crimes, abandono, mas o Rio tem filhos, mães, pais, irmãos, tios, avôs e avós, e sua família, os cariocas, que são feito feras ao proteger seus filhotes. Imagina se carioca deixa estrangeiro tocar a nossa tristeza! Deus me livre de dizer a um estrangeiro: você tem razão! Eu, hem, não existe nada mais chato que ter razão. Quem tem razão só tem é ela. Cariocas gostam do Rio e sabem até brincar com tantos problemas. O Rio sem cariocas é de uma chatice só. Já viram rodas de turistas curtindo a cidade? Eles adoram, mas sempre têm um “mas...”. Carioca de verdade defende sua cidade, trabalha por ela e odeia essas interpretações do chato do Freud que haveria de dizer que cariocas têm ego inflado. Odeio essas coisas que inventam para dizer que somos vaidosos! Temos é uma cidade linda e tão cheia de vida que até os problemas são muito nossos. Lógico que prefeitos e outros políticos gostariam de acertar, mas será que um filho tão problemático tem conserto? Se não tem, é melhor conversamos bem baixinho sobre as traquinices do Rio, agirmos com cuidado, estudarmos as saídas, os remedinhos pros males e amar esse moleque travesso, lindo, lindo e lindo. O Rio é filho problema, mas é nosso e somos nós, cariocas, que temos de proteger a sua imagem. Não venham, estrangeiros, ver nossos problemas. Olhem as praias, o verde, o mar e prestem atenção neste jeito tão especial do carioca viver! Na hora de falar mal, sejam pais e mães de suas cidades e deixem que os cariocas dêem as palmadas nessa nossa cidade travessa!

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