sábado, 11 de julho de 2009

A casa do sonho existe

A casa não foi construída entre as árvores. Impossível. Ela nasceu feito planta, brotou de semente jogada no quintal. Suas janelas deixam espaço para conversas entre as jaqueiras que, com folhas rendadas por entre a luz do sol, ficam exibindo seus frutos que vão crescendo. As palmeiras, talvez plantadas por mãos zelosas, parecem filigranas de desenhos delicados. O gramado é tapete verde generoso, pois não diz um ái ao ser pisado por meus pés: oferece-se macio.
Cômodos distribuídos sugerem a vida voltada para o sentir, escrever, pensar e construir. A cozinha tem cheiro de tempero e mesa para conversas longas pela madrugada, o cafezinho da tarde, as risadas, a contação de história verdadeiras ou mentiras floreadas.
O sol emprestou a sua cor e, vez em quando, manda luz para fazer focos e sombras por entre as janelas. Janelas! Que coisa bonita são as janelas! Elas se abrem destemidas, convidando o verde e a luz a aquecer o aconchego. São aberturas para a vida.
Um pequeno cômodo, talvez um escritório, se abre para o jardim. A música é no compasso natural dos barulhinhos dos insetos, sapos, cigarras e pássaros e da dança das folhas ao ritmo da brisa que sopra delicada.
Vez em quando a cidade grande dá seus sinais no ronco dos motores dos carros na estrada. Banquinhos nos jardins convidam à leitura, ao pensamento silencioso e relaxante.
É uma casa amarela sozinha. Seu piso rangem as tábuas. Para os banheiros, foram escolhidos azulejos floridinhos, em fundo azul-marinho de leveza e beleza dos tempos em que os artistas tinham tempo.
Imagino crianças correndo, feijão fresco na cozinha, minha mãe tomando sol, minha vida quietinha se essa casa fosse minha!
Se aquela casa fosse minha eu plantaria gerânios nas janelas, poria brinquedos no jardim e encheria de livros as prateleiras. Espalharia papel na escrivaninha para muitos escritos. Flores frescas nas jarras, cortinas finas nas janelas que saudariam o vento que refresca. Poria uma placa de bem-vindo na entrada para receber minha família e amigos queridos. Ah, daria alma, movimento, alegria porque as casas não foram feitas pra morar, mas pra se viver. Poderia ser pequena, mas que maravilha acordar e poder dizer: nessa casa mora e vive gente, essa é a nossa casinha!!!
Ah, se a casa dos meus sonhos fosse minha!

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