domingo, 29 de abril de 2007

Regina LUZ

Rainha da luz”. Esse é o significado de seu nome. Regina tem sua origem em “rainha” e Luz é aquela chama, aquele brilho que nos dá a maravilhosa sensação de sentir, ver, destacar, colorir. Assim era Regina. Não, ela nunca parecia ser a luz intensa de um holofote artificial. Não era uma fogueira de chamas. Não era uma luz de néon, das modernidades tecnológicas que andam nos assustando e a assustava. Ela era a luz mais simples, como a chama tímida de uma vela acesa, que ilumina, colore, mas não incomoda. Mas sua luz era forte, de mulher de garra, de lutas e de ações. Suas atitudes eram transformadoras. Se alguma coisa a incomodava como cidadã, ela intensificava seu brilho de inteligência, sagacidade e sensatez e ia buscar alguma ação, alguma solução. Num país e cidade tão complexa, o brilho de seus olhos e a força de suas atitudes uniam-se na força e fé de que alguma coisa poderia ser feita. Uma mulher que não se conformava com os ataques ao respeito e integridade aos cidadãos de nossa cidade. Assim ela trabalhava.Unia-se a outros moradores da Gávea e fazia movimento. Olhava meninos de rua como pessoas. Ganhava deles sorrisos e abraços porque sabia sorrir-lhes e abraçá-los. Ao contrário da maioria assustada do Rio, Regina abria o vidro do carro nos sinais. Ao contrário dos que acham que não adianta mais, Regina se adiantava e buscava como transformar,como fazer alguma coisa! E Regina acreditava que nós podemos transformar muita coisa. Fomos amigas desde que nascemos. No jardim de infância, crianças ativas já aprendíamos que podíamos “falar” a outras pessoas nos teatrinhos, no canto, nas danças. Meninas de 4, 5 anos, eu, sua irmã Bebel Luz, minha irmã Silvia e ela, éramos amigas. E se passaram 50 anos. E continuamos amigas. Eu e Regina, anos depois de termos deixado nossa cidadezinha do interior, onde nascemos, nos unimos na metrópole num projeto que acreditávamos: escrever e disseminar idéias nos bairros da Gávea e do Leblon. Regina e com seu marido Paulo juntou pessoas e talentos. Deram à Bebel Luz, a irmã, grande artista da arte da criação do desenho, bom gosto e idéias, o desafio de colocar no papel a comunicação bem feita e editorada; deram a mim o espaço de escrever, deram a outros colaboradores as colunas e reportagens para as frases bem humoradas, as crônicas poéticas, os protestos, a cultura, o sabor gostoso de viver na Gávea ou no Leblon. E elas agregaram milhares de leitores no pensar o Rio. E era a Regina à frente, com sua luz, que ia buscando caminhos, abrindo espaços, acreditando, unindo, fortalecendo...Regina era a caçula de 6 irmãs (as 6 abelhinhas como dizia Seu Luiz Luz, seu pai). Ela era a tia mais nova de seus muitos sobrinhos, a terapeuta que acreditava poder sempre e sempre ajudar seus clientes. E agora ela se vai, mas deixa, aqui, no coração e na memória de seu marido, suas irmãs, seus sobrinhos, sua família toda e seus amigos, a sua luz. E podemos chorar essa dor e esse luto, porque Regina acreditava que somos humanos e temos emoções. Ela nos entendia e nos permite, nesse momento, e sempre permitiu, que não temos obrigação de parecermos fortes porque, se choramos ou nos entristecemos, pode parecer que sejamos fracos. Ela, muitas vezes conversou comigo e gostava de falar de nossas emoções, as humanas.Em nosso último encontro, conversamos horas seguidas sobre o quanto nossos 50 anos nos ensinaram a olhar e respeitar nossas emoções. Falamos muito sobre como não é verdade modelos modernos de não lidarmos com a dor, a dúvida, a incerteza, a desilusão. E nós duas rimos, nos emocionamos e concluímos: “só se sentirmos podemos transformar e prosseguir”.
Regina estamos de luto; choraremos sua ausência, mas sua luz ficará em cada um de nós. E será a chama que você nos deixou para sentirmos o brilho de seus olhos nos dizendo: prossigam! Façam o Jornal Folha Gávea Leblon, cuidem dos meninos de rua, ajudem aos que sofrem. Sua família e seus amigos foram iluminados por você e deu tempo, minha amiga querida, de você espalhar sua luz em todos nós e nos muitos leitores do Rio de Janeiro. Que muitas Reginas nasçam lá em Rio Bonito, cresçam nessa cidade do Rio de Janeiro e tenham uma existência tão bonita.
Com amor, muito carinho e admiração, minha, de sua linda família e de todos os seus amigos.

Um comentário:

Unknown disse...

Que bom ter encontrado esse texto aqui, meio por acaso. Me deu saudades dela e resolvi procurar o nome dela no Google, que surpresa boa. Sou de Rio Bonito, fui paciente dela, uma pessoa realmente iluminada, ótima profissional, humana, justa e que se tornou também uma amiga para mim. Sua morte me fez sofrer muito de saudades. Mas tê-la conhecido foi uma das melhores coisas da minha vida. Me sinto honrada por ter estado com ela e por tudo o que ela me ensinou.
Ela chegou a me falar de você,falou bem é claro, rs.
Um abraço muito carinhoso
Gracione.