Meu irmão avisou: estou perto de
morrer!
Eu nem liguei.
Logo naquele dia
eu não me importei.
Irmãos antigos não morrem assim,
tão de repente.
Quando chegou o dia,
chorei sua morte em desespero.
Ele me falava de vida,
das brigas que tínhamos por bobagens,
e da vida que buscava em coisas
simples .
Ele gostava de dar milho aos patos e
de arrumar os ninhos das galinhas e pintinhos.
Uma vez, criou uma ninhada de
garnisés.
que gostava se assistir crescendo.
Um dia, nós andamos pela fazenda
e ele se encheu de carrapatos. Ele
ria e nem ligava.
Eu sabia que mora em mim uma entidade
a quem ele chamava de espírito santo.
Eu, um horror de descrente,
achava o Espírito Santo uma beleza
e meu irmão acreditava em Deus.
Ele rezava e achava graça das
discussões acaloradas
e
sempre dizia : “diante de Deus
isso tudo é uma grande bobagem”.
E foi assim,
de uma bobagem,
que morreu meu irmão.
Nunca mais esqueci
que éramos amigos e brigávamos por
bobagens.
O que nunca esqueci
foi da nossa irmandade.
Acho que esqueci
de pedir perdão,
porque eu tive muita raiva
de ver morto o meu irmão.
Ele morreu de tristeza e eu sabia:
como esquecer aquela dor de saudades
de nossa irmandade?

Nenhum comentário:
Postar um comentário